Receita intima 396 mil empresas com dívidas e ameaça tirá-las do Simples

01/10/2014 06h30

Micro e pequenas empresas podem parcelar débitos em até 60 meses.

Débito é de R$ 14 bi, mas Fisco espera arrecadar R$ 423 milhões em 2014.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

A Secretaria da Receita Federal enviou intimação para que 396 mil micro e pequenas empresas inscritas no Simples Nacional, com dívidas relativas a tributos não pagos, regularizem sua situação. Esse número de empresas equivale a 9% do universo total de empresas do Simples – programa que unifica e simplifica o pagamento de tributos ao governo, estados e municípios.

Segundo o Fisco, as empresas foram intimadas em setembro e possuem débitos da ordem de R$ 14 bilhões com a Receita Federal e com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Mas a expectativa é que ingressem nos cofres públicos R$ 423 milhões neste ano, uma vez que os débitos podem ser parcelados em até 60 meses (parcelamento tradicional disponibilizado pela Receita Federal). Quem não regularizar a dívida, no entanto, pode ser excluído do Simples.

"A medida [envio das intimações] está prevista na Lei Geral do Simples Nacional e é um procedimento adotado anualmente pela Receita Federal. A ação visa oferecer a oportunidade para que devedores regularizm suas dívidas e possam, desta forma, continuar usufruindo dos benefícios do Simples Nacional. O contribuinte que não regularizar sua dívida será excluído do Simples Nacional e perderá os benefícios do sistema simplificado a partir de 1º de janeiro de 2015", informou a Receita Federal ao G1.

O órgão esclareceu que contribuinte pode regularizar suas pendências, fazendo o pagamento à vista ou aderindo ao parcelamento de débitos em até 60 meses. "O parcelamento pode ser requerido diretamente no site da Receita Federal na internet, não sendo necessário o comparecimento às Unidades de Atendimento da Receita Federal. Estima-se que 90% dos devedores vão regularizar suas dívidas", acrescentou a Receita.

Meta fiscal de 2014
Embora esse tipo de cobrança seja feito anualmente, os R$ 423 milhões esperados para ingressar nas contas públicas neste ano, por conta da medida, ajudarão o governo a tentar atingir a meta fiscal de 2014 – algo que os economistas consideram muito difícil de acontecer.

De janeiro a agosto deste ano, as contas do setor público (governo, estados, municípios e estatais) registraram um superávit primário – que é a economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda – de R$ 10,2 bilhões, segundo números divulgados pelo BC.

O objetivo fiscal de todo o setor público, neste ano, é de R$ 99 bilhões – o equivalente a 1,9% do PIB. Deste modo, nos oito primeiros meses deste ano, o esforço de R$ 10,2 bilhões equivale a somente 10,3% da meta para 2014 fechado.

Especialista recomenda que empresas regularizem situação. O diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, Richard Domingos, recomendou que as empresas procurem regularizar os débitos o mais breve possível, mesmo não sendo notificadas. Segundo ele, isso pode ser feito por meio do pagamento total dos débitos ou via parcelamento em até 60 meses dos mesmos – em até 30 dias após a notificação.

"Muitos falam que é uma forma de o governo recuperar receitas que perdeu com benefícios fiscais. Porém, a verdade é que esta ação já era esperada, e até que demorou, pois, na lei do Simples já está prevista a exclusão dos devedores", afirmou Domingos, observando que os débitos cobrados referem-se ao ano de 2013, "o que mostra que o Fisco federal está agindo rápido".

Operação Bom Apetite fiscaliza segmento de restaurantes nesta quinta e sexta-feira

21/08/2014   A meta da Fazenda estadual é visitar 100 estabelecimentos na Grande Florianópolis, Joinville e Tubarão.
 
A Secretaria da Fazenda realiza nesta quinta e sexta-feira, dias 21 e 22 de agosto, a operação Bom Apetite com o objetivo de fiscalizar o segmento de restaurantes. Um grupo de 57 auditores fiscais devem visitar 100 estabelecimentos na Grande Florianópolis, Joinville e Tubarão. Os contribuintes foram selecionados a partir de denúncias e do cruzamento de informações fiscais disponíveis na base de dados da Fazenda. Os auditores vão conferir a regularidade do uso do Emissor de Cupom Fiscal (ECF), do Programa de Automação Fiscal (PAF-ECF) e do cartão de crédito, além de outras obrigações acessórias.

"O setor de restaurantes está se adequando às normas e hoje encontramos um percentual maior de empresas regularizadas. Isto só foi possível graças a um trabalho árduo de orientação aos contribuintes sobre a correta aplicação da legislação tributária. No início, o fisco somente multava nos casos de descumprimento da obrigação principal ou na reincidência do descumprimento da obrigação acessória”, explica Francisco Martins, gerente de fiscalização da Fazenda Estadual.

Segundo ele, o correto uso do programa PAF-ECF nos restaurantes possibilitou o aumento de arrecadação no setor em torno de 20% no primeiro semestre deste ano. “A operação Bom Apetite tem o objetivo de buscar aqueles que ainda estão à margem da legislação, praticando atos que objetivam reduzir o tributo devido, distorcendo a concorrência em benefício próprio”, afirma Martins. O gerente ressalta ainda que o fisco vai coibir a prática de controlar o fornecimento de alimentação e bebidas por meio da "comanda manual", que possibilita o controle financeiro sem que haja a emissão do documento fiscal.

Novas operações no varejo, envolvendo outros segmentos, estão programadas para as próximas semanas.

Assessoria de Comunicação SEF

Santa Catarina é destaque em modernização fiscal

Estado é líder em execução do Profisco, programa de gestão fiscal e patrimonial financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.
 
Santa Catarina mereceu destaque durante a 24ª reunião extraordinária da Comissão de Gestão Fazendária (COGEF), realizada nesta segunda e terça-feira, 11 e 12, em Aracaju (SE). O estado é líder em execução do Profisco, Programa de Modernização da Gestão Fiscal e Patrimonial da Administração Estadual financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

No encontro, a representante do BID, Maria de Fátima Cartaxo, anunciou o grupo dos oito estados com maior percentual de execução: Santa Catarina, Minas Gerais, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão e Pernambuco. A Fazenda catarinense foi representada pelo coordenador geral do Profisco SC, Omar Afif Alemsan, e a coordenadora administrativa e financeira, Michele Espíndola.

A 24ª COGEF também elegeu a nova diretoria da comissão: Thaner Castro Nogueira, do Mato Grosso do Sul é o novo presidente, sucedendo Carlos Alberto Agostini, do Rio Grande do Sul, tendo André Cordeiro, da Bahia, como vice. Durante o encontro também foi debatido e aprovado o novo plano de atividades para 2015, além do início dos preparativos para o Profisco 2.

Assessoria de Comunicação SEF